sexta-feira, 12 de julho de 2013

Função.














Interessante a entrevista/artigo com Adam Curtis na FACT magazine, em particular esta referência que faz à banda Savages, que acaba por servir de explicação para outros tantos fenómenos musicais que pululam aos magotes em posts de Facebook durante pelo menos uma semana.


“I know everyone loves Savages but if you listen to Savages, they are archeologists! They are like those people in pith helmets who used to dig up the bones of Tutankhamun.

“Savages have gone back to the early 1980s and unearthed a concert of Siouxsie Sioux or The Slits and literally replicated it note for note, tone for tone, emotion for emotion. It’s like some strange curatorial adventure. They’re not new. It’s good to go back into the past and take something and reinterpret it and use it to push into the future but they’re not doing that – they’re like robots.”


Percebo. Vi as (os?) Savages recentemente ao vivo e a Adam Curtis só faltou referir o vestuário. O que faz pensar na música não como "objecto-criativo" mas como "objecto-função".
Re-post, re-twitt, re-wind.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A passagem do tempo














A vida passa sem sobressaltos. A vida moderna entenda-se, no eterno conforto, o nós e os outros como entidades distintas. O acordar um dia e perceber que o tempo passou e nós também passámos por ele.
Dark Side of the Moon é também um disco que passa. Se quebras, sem um auge. 42:59. Vem e depois vai sem se dar por isso. Tudo corre a um ritmo de cruzeiro, como se se tivesse todo o tempo do mundo; vida feita de pequenas rotinas, pequenos nadas que passam despercebidos.
Não há um hit, não há um refrão mas há um ritmo constante, uma cadência; nada chama a atenção, nada cativa. Ao fim tudo se aproxima do fim.
É o tempo que passa sem podermos fazer nada em relação a isso.
O que torna então Dark Side of the Moon tão especial? Talvez isso mesmo, ser um dos poucos discos da música pop que mais se aproxima da vida.
40 anos.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

pop is dead.













Apesar de não ter ouvido o último disco do Bowie, toda a campanha de marketing, todo o hype, toda a sugestão, levam a uma conclusão: a música pop, como a conhecemos, morreu. Retirando apenas conclusões baseadas apenas na estética e nas relações de mercado em que assenta.
Não é uma conclusão a que se chegue de ânimo leve.
Insiste-se então em prolongar o velório e não ter a coragem de levar o morto ao cemitério.
Mas é bom que se o faça depressa, senão acaberemos por ficar apenas com bandas-tributo como os Vandelles e a redopiar em constante hedonismo.

A rever. Ou talvez não.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Everything, everywhere, all the time now!

























Tudo agora, aqui, em todo o lado.
Assistimos ao nascimento de um novo Homem: o homem-iphone.
Tudo e não-especializado;
Excesso informativo; assimilação; os novos valores da sociedade.
A idade do hedonismo, da realização pessoal e do sempre (tudo) presente e ao alcance.
Este proto-cyborg(?), nós, dependentes do anexo tecnológico.
iPod, movimento touch digital;
Samsung, movimento e acção aérea.

A rever.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Shake, rattle and kraut


Kraut. Kraut. Kraut. Esta é a palavra que frequentemente popula as criticas músicais nos dias que correm. De Toy a Savages, de Beaches a não sei mais quem. Hoje, qualquer ritmo mas “motórico” é, portanto, kraut; assim como qualquer estética mais etérea é psicadélica; assim como qualquer dissonância-distorção é noise.



Mas o que é afinal isso do kraut, figura da história da música popular quando a Alemanha dava 5-0 ao Resto do Mundo? Ritmo, velocidade? A velocidade alemã da Autobhan, quando a Europa parecia, aos olhos dos seus, um continente sem fim, ligada por uma só estrada. Pós-guerra, abundância; estrada, máquina, comforto. O ritmo das máquinas, motores, futurista na sua essência; Klaus Dinger, ritmo motorik; (Q)(K)Cluster, Harmonia, Kraftwerk.



A velociade americana, que tem dominado o mundo nos últimos 60 e poucos anos, não é tão precisa; é centrifuga, rodopiante. Shake, rattle, roll and twist; Chuck Berry, Jerry Lee Lewis. Hedonista em essência, é o corpo, expressão, sexo.



A imensidão de dois continentes a duas velocidades distintas; duas visões do pós-guerra.



A rever. 

 

 


we are still everything now!

Jar Moff 'Commercial Mouth' (PAN 31) from PAN on Vimeo.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

we are everything now as we are everything now as we are everything now

Douglas Gordon "Self-Portrait as Kurt Cobain, as Andy Warhol, as Myra Hindley, as Marilyn Monroe"


David Bowie "The Next Day" design by Jonathan Barnbrook